Arquivo do mês: setembro 2008

Inferno Noturno

Por: Rafael Bernini

 

 

 Todd apaga seu cigarro no chão entre os becos, onde totalmente alcoolizado estava caído entre os lixos e imundice do lugar. Todd tinha sido um homem de sucesso hoje perseguido por um espírito que o tormenta, ouve vozes, sussurros e um medo horripilante que não o faz olhar para atrás.

            Era um dia chuvoso, bebericava um gole de uma wisk barato e fumaça um cigarro, era madrugada os ratos passeavam pelo meio-fio e entrava em bocas-de-lobo que ficavam para drenar a água da chuva.  Todd estava apreensivo dessa vez, a mês que não era perseguido ou coisa aparecido, era alem de tudo misterioso, seu medo era confuso de descrever, parecia que gostava de sentir aquilo, o calafrio que lhe subia pela espinha fazia dar pequenas risadinhas  maquiavélicas.

            Aquela noite não era uma noite comum, era uma noite tenebrosa, a ansiedade era imensa, ele abaixa a aba do chapéu e começa a andar pelos becos, um olhar leve para cima e percebe uma formação magnética que faz com que nuvens negras começassem a tomar forma de um moinho, a lua negra perdia sua forma de sangue e era completamente coberta pelas nuvens e mais forte vinha a chuva.

            Agora um olhar de preocupação saia pelos olhos de Todd e uma leve palavra sai de sua boca.

            -Merda…

            Correndo rapidamente pelo beco, Todd segue firme para direção norte, subindo cada vez mais pelas do beco onde costumava caminhar. Ele percebe que a poucas distancia alguém o persegue passos fortes e tenebrosos, a noite fazia sentir frio do que medo, mas agora não dava mais tempo, pequenos vultos pela sombra faziam espíritos tomar forma em sua frente e uma criatura horripilante aparece atrás dele. Seu sangue gela sua, suas veias saltam, com a mão dentro do casaco, ele retira duas quarenta e quatro de cano longo, eram lindas, tinha um brilho que nenhuma outra arma que já tenha vista, em seu cabo de marfim tinha um crucifixo desenhado e um pequeno rosário preso ao seu braço.

            De costas para a criatura, empunha as duas armas. Era um demônio, o sorriso saia da boca de Todd, virando-se lentamente, ele tenta pegar uma boa posição quando a criatura o ataca, tinha uma aparecia horrível um corpo muito fino e aparência de zumbi, pernas e braços bem grandes e m par de asas que se lembra de um morcego, mas toda deformada.

            – Não te esperava ver tão cedo Nosferatu.

            A criatura com sua aparência horrível.

            -Você não perde por esperar, cretino.

            Todd avança violentamente para frente dele e esmurra com tanta força queo demônio bate fortemente com a parede fazendo-a rebentar-se toda e com uma velocidade incrível ele está em cima da criatura com uma arma na cabeça e diz.

            -Então não espero… – e puxa o gatinho seguidas vezes até que cabeça da criatura se desfizesse com os tiros a queima-roupa.

            Os espíritos que rodeavam para a sombra se afastavam, e com um olhar negro ele diz para eles.

            -E seja lá quem for que os tenha enviado, fale que não o quero encontrá-lo, e se for quem eu penso que seja eu mesmo vou ir vê-lo nem que seja no inferno…

            Os espíritos desapareceram na escuridão do beco úmido e tenebroso, Todd agora sozinho, e com armas no coldre totalmente encharcado pela chuva ajeitava seu chapéu e tentava se aquecer do frio que fazia na noite. Quem será tal criatura? Quem o queria que fosse destruído? Quem é realmente Todd?

            Isso é apenas o começo do fim.


Brincando com o Desconhecido

Por.: Márcio Renato Bordin

SSexta-feira, 23h50min. Acenderam algumas velas vermelhas pelos cantos da sala, sete amigos sentados formando um círculo e, no centro deles, uma tábua contendo todos os algarismos, todos os números de 0 a 9, um SIM e um NÃO. Temerosos, mas excitados com o que poderia acontecer, olham um na face do outro. Com um sinal de concordância dado por Michel, o mais velho entre eles, Rafael colocou sua mão sobre o copo virgem que se encontrava com a boca para baixo sobre a tábua:

   -Tem alguém aí? Tem alguém aí?

– Nada, nenhum movimento do copo, apenas uma tremedeira causada pela mão do jovem Rafael. Todos olhavam em volta, sentindo um leve calafrio que lhe percorriam a espinha. Um leve vento frio entrou janela adentro. Núbia, a única garota do grupo, pediu para pararem, mas foi alvo das chacotas de Michel:

– Sabia que não deveríamos trazer uma mulher com a gente!

– Está com medinho?

– Corre para debaixo da saia da mamãe e deixe que os homens continuem aqui.

Núbia abaixou sua cabeça, encobrindo a vergonha, mas não se levantou. Na verdade, todos ali estavam com medo, mas nada diziam temerante às gozações de Michel. Sob a ordem dele, Rafael voltou a pôr a mão sobre o copo e novamente questionar:

– Tem alguém aí? Tem alguém aí?

A janela bate quase derrubando a parede; um vento forte e gélido corre por entre a sala como se em círculos; as luzes piscam. Núbia foi tomada por um desespero. Chorava e, aos gritos, pedia para pararem com aquilo, mas não foi ouvida. Rafael, também amedrontado, tentou tirar a mão do copo, mas foi impedido pelas mãos de Michel:

– Vai, continua! Continua!

Núbia se levantou aos prantos e correu para a cozinha. Seu pavor estava totalmente fora de controle. Rafael, ainda obedecendo ao amigo, continuou:

– Tem alguém aí?

Antes que perguntasse novamente, o copo se moveu: SIM. Todos ficaram paralisados. As mãos trêmulas de Rafael já não conseguiam mais segurar o copo. Todos os seis se juntaram ainda mais, um se se encostando ao outro, espremidos em seu medo, mas atentos à tábua. Rafael, em soluços, voltou novamente a questionar:

– Quem é você? Quem é você?

O copo voltou a mexer indo em direção aos algarismos. Tomados pelo medo e pela curiosidade, eles fixaram os olhos na tábua, enquanto o copo continuava a se mover: E, U, P, E, D, I, P, A, R, A, P, A, R, A, R, E, M, Michel repetiu a frase soletrada:

– Eu pedi para pararem…

Todos olharam em direção à cozinha, para onde Núbia teria corrido, mas se depararam com a jovem em pé atrás deles, segurando uma faca de cozinha nas mãos. Com um só golpe, cortou a garganta de Michel, jorrando sangue em todos os outros. Rafael se levantou em direção da amiga tentando segurá-la, mas a força da jovem, naquele momento, era incrível. Atirou Rafael na parede e lhe estocou a faca em sua barriga. Os outros se agruparam no canto da sala, aos berros. Queriam correr pra fora, mas Núbia estava posicionada na única passagem possível.

Os berros que vinham da casa chamaram a atenção dos vizinhos. Um deles, mais do que depressa, chamou a polícia, que chegaram 30 minutos depois. Quando já não se ouvia mais nada vindo de dentro da casa, uma multidão se formou defronte à residência. Com o aparecimento da polícia, todos queriam saber o que aconteceu. Um dos policiais abriu a porta da sala com os pés. Deparou-se com Núbia sentada no sofá, coberta por pedaços de corpos e sangue, como se em estado de catatonia apenas repetia a frase:

– Eu pedi para eles pararem! Eu pedi para eles pararem! Eu pedi…


Eu Sou a Lenda

Por.: Luiz Poleto

 

Alguém disse certa vez que o motivo desta pequena obra-prima de Richard Matheson ter sido tantas vezes adaptada para o cinema (até agora são três, a mais recente tendo Will Smith no papel principal) deve-se ao fato de que ainda estão tentando acertar a adaptação para a telona.

O próprio Matheson colaborou na primeira adaptação (The Last Man on Earth, com Vincent Price), mas o final ficou tão diferente que ele exigiu que seu nome aparecesse nos crédito sob o pseudônimo de Logan Swanson.Eu Sou a Lenda é um romance curto, ambientado no futuro (em relação ao momento em que foi escrito), e que é pioneiro por oferecer tratamento científico ao mito do vampiro.

A história gira em torno de Robert Neville e tem início em 1976, quando uma guerra atômica levou à mutação de uma bactéria que produz os mortos-vivos, e que destruiu a civilização. Neste incidente, Neville perdeu esposa e filha, e agora vive sozinho em uma casa mantida por um gerador e cercada de alho por todos os lados. Ele vive uma vida auto-suficiente e tem uma rotina; todo dia de manhã ele precisa fazer reparos na casa, sair para buscar mantimentos, e coisas do tipo. Mas todas as noites um grupo de vampiros liderados por seu vizinho Ben Cortman vem assediá-lo, exigindo que saia de casa. Cortman usa diversos artifícios, e um deles é o uso de mulheres vampiras tentando seduzir Neville, que algumas vezes quase cai na tentação.

Matheson consegue fazer com que os leitores sintam o que Neville sente: a solidão de ser o último ser humano na face da terra e os efeitos que isso pode trazer, como o frequente refúgio no álcool, as ansiedades sexuais de um homem solitário, sua luta pessoal para tentar entender o fenômeno do vampirismo e seu esforço para tentar conquistar a confiança de um vira-latas que aparece na vizinhança.
o andamento do romance não tem a rapidez que vimos na última adaptação para a telona, mas nem por isso torna a leitura enfadonha. Os eventos e a linguagem são compactos, assim com a próprio história.

O final da história, que é pouco respeitado nas adaptações para o cinema, é muito interessante, e levanta alguns pontos interessantes, como por exemplo o questionamento sobre o mal ser relativo, podendo ser o herói de um grupo o monstro de outro? E quando a condição humana torna-se minoritária, o que define o que é normal ou não, já que a normalidade é ditada pela maioria, e não pela minoria?

Richard Matheson construiu um clássico com “Eu sou a Lenda”, motivo pelo qual de tempos em tempos é não somente foi adaptada ao cinema, como também influenciou uma geração de escritores de terror e ficção científica.

 

Ficha Técnica:

Richard Matheson, 1954

Título original: I Am Legend

Tradução e Revisão: Jean Steeler

ISBN: 958-16-0201-1