A Casa

Por.: Rafael Bernini

 

-Dia cansativo hoje. – diz Jazz a seu irmão Ralf.

-Nem se fala. Trabalhar na pedreira e ainda volta pra casa a pé não é fácil.

-O pior é ter que carregar essas picaretas nas costa.

-Nem se fala, não vejo à hora de chegar a casa e tomar um banho.

-Ralf, o que você acha de passarmos na casa velha e tomarmos banho de água encanada?

Evita de termos que ir buscar água no rio.

-Mas os boatos que dizem da casa velha? Acha que deveríamos arriscar.

-Aquela chacina aconteceu há anos, você não acredita em fantasmas e espíritos? Acredita?

-Vamos então que já esta escurecendo.

-Vamos.

Jazz e Ralf eram irmãos, trabalhavam na pedreira, eram extremamente fortes e bem apresentáveis. Moravam em um pequeno sitio a beira de um rio que o qual passava perto da casa velha e acabava no fim da pedreira com alguns quilômetros até o lago que passava pela cidade. Jazz e Ralf estavam perto da casa velha, construída no século passado, devia ter sido construído por mineiros que escavavam a mina por aquelas épocas, era ano de mil novecentos e quarenta e nove, um ano dura de revoluções ao qual o interior não havia sido afetado. -Cara que Casa medonha.

-É mesmo, mais fiquei sabendo que a água que cai pelo encanamento é ótima.

-Vamos que quero conhecer logo essa casa.

Cruzaram um pequeno jardim, e forçaram a porta amarrada por correntes e um grande cadeado de ferro. Tinha um grande salão até chegar às escadarias com salas para os dois lados e um corredor tremendamente escuro que passava por traz da escada e saiam em algum lugar com certeza. Jazz colocou o pé em cima do primeiro degrau.

-A onde vai? – perguntou Ralf.

-O encanamento é lá em cima.

-Não me disse que teríamos que ir lá em cima?

-Se esta com medo volte ninguém esta te impedindo.

-Vai se ferrar.

-Então vamos.

                Subindo bem de vagar as escadas estavam podres, lentamente degrau sobre degrau. O piso superior parecia ainda mais assombroso. Ao cegar no andar Ralf da um grito e cai para traz.

-O que aconteceu? – pergunta Jazz

-Pensei em ter visto alguém no fim do corredor.

-Você esta ficando maluco. É só um espelho vamos logo que ainda quero tomar banho e chegar em casa logo. Subindo para o segundo andar em direção a um quarto que ficava entre o encontro dos dois lados da escada abriram a porta que era imensa e de madeira escura e maciça.

                Forçando-a para que pudessem abrir um forte cheiro entra em seus narizes, não sabiam o que era aquele cheiro mais não era estranho. 

-Nossa que fedor.

-Que cheiro do inferno. Agora acho que não foi uma boa idéia termos vindo. – diz Jazz.

-Agora que percebeu que era uma boa idéia

-Olha só esse quarto. Queria ter um desses para mim. – Olhando dentro do quarto era imenso estava vazio mais muito bem distribuído com a janela que dava a lado do jardim que deveria se a vista mais bonita antes de ser totalmente abandonada.

-Ei Ralf? Olha o banheiro.

Ralf seguiu em direção ao banheiro era enorme e na ponta o cano havia um chuveiro.

-Olha só que negocio invocado. Deve ser isso que chamam de chuveiro. Vamos. – ambos tiram a roupa ficando apenas de ceroulas.

Aquilo jogava água como nunca tinham visto, estavam se deliciando com a brincadeira mais começou a faltar água e secou o chuveiro. 

-Maldito.

-Acabou a água. – Já aproveitamos o suficiente, vamos embora. – diz Ralf. -Certo ambos se vestiam, quando Ralf para e passos de vagar em outra parede.

-Jazz? Jazz? 

-Que é? 

-Fale baixo. 

-Por quê? 

-Tem alguém no outro cômodo.

-Como assim?

-Coloque o ouvido aqui. Encostado o ouvido ambos escutam passos no cômodo ao lado, alguns gemidos e resmungos acompanhavam seus ouvidos fazendo tremer até a espinha.

Algumas barras de ferro continuavam a cair no chão.

-Estranho?
-O que é estranho Ralf?

-Ferros caindo. Por que teria ferros caindo no outro cômodo?

-Escuta. – Jazz fez sinal para que Ralf colocasse o ouvido novamente na parede.

                -O que é Jazz. – resmungou.

                -Os paços estão ficando mais forte.

                Como se houvesse encostado rente a parede um silencio súbito tomou conta.

-Parou?

-Sim.

Uma tremenda cacetada de ferro zune no outro cômodo fazendo com que os irmãos caem apavorados no chão.

-O que é isso?

Sinais começavam a aparecer de frente onde tinham colocado o ouvido.

-Vamos embora.

Ambos se levantam e saem correndo e para após tela cruzada.

-Que merda é essa?

-Ou droga.

O lugar tinha mudado totalmente aquilo parecia um inferno o lugar estava banhado em sangue.

-O meu Deus – diz Ralf.

                -Vamos por ali.

                Seguiram em direção ao corredor onde acharam a escada que descia para o próximo andar.

Os barulhos de ferro caindo pelo chão, eram atordoantes.

Desceram as escadas.

-Jazz não foi aqui que subimos.

Passos e gritos ecoam no andar.

-Não vai ficar para procurar a outra vai?

-Não.
-Então venha.

Chegando ao meio da escada ambos param.

-Espera. O barulho acabou.

-Parece que sim.

De repente as vidraças são arrebentadas por pedras e novamente os gritos cada vez mais fortes.

-Desce! Desce! Desce! – gritava Ralf.

Viraram o corredor como uns loucos chegaram a próxima escada. Antes de descerem Ralf olha para traz e vê uma garota saindo da sombra, parecia estar chorando, a luz da lua mostrava metade do seu rosto. Era uma garotinha linda.

-Quem é você garota.

Ela apenas chorava e segurava uma boneca de pano com o rosto arredondado e cabelos de lã.

-Você está maluco Ralf. Não tem ninguém ai.

-Claro que tem é uma garotinha de cabelos até o ombro.

-Não tem ninguém vamos.

Ralf via a garota, e de vagar ela se aproximava aquilo lhe dava calafrios. Com pequenos paços ela vinha e vinha. Quando a lua iluminou completamente seu rosto metade era totalmente desfigurado via-se um dos olhos pendurados e todo arrebentado ossos e nervos podres. Aquilo revirou o estomago de Ralf.

-Corre Jazz, corre.

-Merda.
Desceram as escadas e chegaram ao corredor. O andar de baixo estava pegando fogo.

-Como foi pegar fogo aqui?

-Eu que não quero saber.

-O meu Deus! O meu Deus! – Jazz olhava os corpos que se queimavam como fogo.

Acharam a saída e correram até o pequeno portão. Quando olham o lugar esta do jeito que chegaram.

-Ralf você esta com meus óculos?

-Não o vi usar ele hoje.

-Estava no meu bolso.

-Vamos embora amanha a gente procura. Ainda estou apavorado com essa casa.

-Mais juraria que tinha colocado no meu bolso.

Na manha seguinte os dois irmãos descem para tomar café. Sentam-se a mesa, Ralf caçoa de seu irmão. Ambos ainda estavam apavorados com o que tinha acontecido mais chegaram a uma conclusão de que aquilo não deveria mais ser mencionado.

-Ai Jazz seus óculos. Não tinha esquecido – um pequeno sorriso saiu da boca de Ralf com grandes pedaços de pão dentro dela.

-Olha é mesmo.

-Mais você o perdeu Jazz. – diz a mãe.

-Não olha ele aqui.

-Logo após se deitarem – diz a mãe. – uma garotinha o trouxe aqui.

-Como assim? – questiona Ralf.

-Uma mocinha de cabelos pretos até os ombros, segurava uma boneca de pano, pele branca.

-Esta de brincadeira?

-Não porque estaria? Preocupei-me com ela parecia estar sozinho e já era tarde. E ela inda me disse que vocês estavam no banheiro da casa dela. O que faziam lá? Ela disse que qualquer dia desses viria nos visitar.

A partir daquele dia nunca mais os irmãos falaram sobre aquilo. Mas a casa ainda se podia ouvir os gritos e berros durante a noite.

Sobre Márcio Renato Bordin

Não sou ninguém. Vivo em lugar nenhum. Ver todos os artigos de Márcio Renato Bordin

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