Inferno Noturno

Por: Rafael Bernini

 

 

 Todd apaga seu cigarro no chão entre os becos, onde totalmente alcoolizado estava caído entre os lixos e imundice do lugar. Todd tinha sido um homem de sucesso hoje perseguido por um espírito que o tormenta, ouve vozes, sussurros e um medo horripilante que não o faz olhar para atrás.

            Era um dia chuvoso, bebericava um gole de uma wisk barato e fumaça um cigarro, era madrugada os ratos passeavam pelo meio-fio e entrava em bocas-de-lobo que ficavam para drenar a água da chuva.  Todd estava apreensivo dessa vez, a mês que não era perseguido ou coisa aparecido, era alem de tudo misterioso, seu medo era confuso de descrever, parecia que gostava de sentir aquilo, o calafrio que lhe subia pela espinha fazia dar pequenas risadinhas  maquiavélicas.

            Aquela noite não era uma noite comum, era uma noite tenebrosa, a ansiedade era imensa, ele abaixa a aba do chapéu e começa a andar pelos becos, um olhar leve para cima e percebe uma formação magnética que faz com que nuvens negras começassem a tomar forma de um moinho, a lua negra perdia sua forma de sangue e era completamente coberta pelas nuvens e mais forte vinha a chuva.

            Agora um olhar de preocupação saia pelos olhos de Todd e uma leve palavra sai de sua boca.

            -Merda…

            Correndo rapidamente pelo beco, Todd segue firme para direção norte, subindo cada vez mais pelas do beco onde costumava caminhar. Ele percebe que a poucas distancia alguém o persegue passos fortes e tenebrosos, a noite fazia sentir frio do que medo, mas agora não dava mais tempo, pequenos vultos pela sombra faziam espíritos tomar forma em sua frente e uma criatura horripilante aparece atrás dele. Seu sangue gela sua, suas veias saltam, com a mão dentro do casaco, ele retira duas quarenta e quatro de cano longo, eram lindas, tinha um brilho que nenhuma outra arma que já tenha vista, em seu cabo de marfim tinha um crucifixo desenhado e um pequeno rosário preso ao seu braço.

            De costas para a criatura, empunha as duas armas. Era um demônio, o sorriso saia da boca de Todd, virando-se lentamente, ele tenta pegar uma boa posição quando a criatura o ataca, tinha uma aparecia horrível um corpo muito fino e aparência de zumbi, pernas e braços bem grandes e m par de asas que se lembra de um morcego, mas toda deformada.

            – Não te esperava ver tão cedo Nosferatu.

            A criatura com sua aparência horrível.

            -Você não perde por esperar, cretino.

            Todd avança violentamente para frente dele e esmurra com tanta força queo demônio bate fortemente com a parede fazendo-a rebentar-se toda e com uma velocidade incrível ele está em cima da criatura com uma arma na cabeça e diz.

            -Então não espero… – e puxa o gatinho seguidas vezes até que cabeça da criatura se desfizesse com os tiros a queima-roupa.

            Os espíritos que rodeavam para a sombra se afastavam, e com um olhar negro ele diz para eles.

            -E seja lá quem for que os tenha enviado, fale que não o quero encontrá-lo, e se for quem eu penso que seja eu mesmo vou ir vê-lo nem que seja no inferno…

            Os espíritos desapareceram na escuridão do beco úmido e tenebroso, Todd agora sozinho, e com armas no coldre totalmente encharcado pela chuva ajeitava seu chapéu e tentava se aquecer do frio que fazia na noite. Quem será tal criatura? Quem o queria que fosse destruído? Quem é realmente Todd?

            Isso é apenas o começo do fim.


Brincando com o Desconhecido

Por.: Márcio Renato Bordin

SSexta-feira, 23h50min. Acenderam algumas velas vermelhas pelos cantos da sala, sete amigos sentados formando um círculo e, no centro deles, uma tábua contendo todos os algarismos, todos os números de 0 a 9, um SIM e um NÃO. Temerosos, mas excitados com o que poderia acontecer, olham um na face do outro. Com um sinal de concordância dado por Michel, o mais velho entre eles, Rafael colocou sua mão sobre o copo virgem que se encontrava com a boca para baixo sobre a tábua:

   -Tem alguém aí? Tem alguém aí?

– Nada, nenhum movimento do copo, apenas uma tremedeira causada pela mão do jovem Rafael. Todos olhavam em volta, sentindo um leve calafrio que lhe percorriam a espinha. Um leve vento frio entrou janela adentro. Núbia, a única garota do grupo, pediu para pararem, mas foi alvo das chacotas de Michel:

– Sabia que não deveríamos trazer uma mulher com a gente!

– Está com medinho?

– Corre para debaixo da saia da mamãe e deixe que os homens continuem aqui.

Núbia abaixou sua cabeça, encobrindo a vergonha, mas não se levantou. Na verdade, todos ali estavam com medo, mas nada diziam temerante às gozações de Michel. Sob a ordem dele, Rafael voltou a pôr a mão sobre o copo e novamente questionar:

– Tem alguém aí? Tem alguém aí?

A janela bate quase derrubando a parede; um vento forte e gélido corre por entre a sala como se em círculos; as luzes piscam. Núbia foi tomada por um desespero. Chorava e, aos gritos, pedia para pararem com aquilo, mas não foi ouvida. Rafael, também amedrontado, tentou tirar a mão do copo, mas foi impedido pelas mãos de Michel:

– Vai, continua! Continua!

Núbia se levantou aos prantos e correu para a cozinha. Seu pavor estava totalmente fora de controle. Rafael, ainda obedecendo ao amigo, continuou:

– Tem alguém aí?

Antes que perguntasse novamente, o copo se moveu: SIM. Todos ficaram paralisados. As mãos trêmulas de Rafael já não conseguiam mais segurar o copo. Todos os seis se juntaram ainda mais, um se se encostando ao outro, espremidos em seu medo, mas atentos à tábua. Rafael, em soluços, voltou novamente a questionar:

– Quem é você? Quem é você?

O copo voltou a mexer indo em direção aos algarismos. Tomados pelo medo e pela curiosidade, eles fixaram os olhos na tábua, enquanto o copo continuava a se mover: E, U, P, E, D, I, P, A, R, A, P, A, R, A, R, E, M, Michel repetiu a frase soletrada:

– Eu pedi para pararem…

Todos olharam em direção à cozinha, para onde Núbia teria corrido, mas se depararam com a jovem em pé atrás deles, segurando uma faca de cozinha nas mãos. Com um só golpe, cortou a garganta de Michel, jorrando sangue em todos os outros. Rafael se levantou em direção da amiga tentando segurá-la, mas a força da jovem, naquele momento, era incrível. Atirou Rafael na parede e lhe estocou a faca em sua barriga. Os outros se agruparam no canto da sala, aos berros. Queriam correr pra fora, mas Núbia estava posicionada na única passagem possível.

Os berros que vinham da casa chamaram a atenção dos vizinhos. Um deles, mais do que depressa, chamou a polícia, que chegaram 30 minutos depois. Quando já não se ouvia mais nada vindo de dentro da casa, uma multidão se formou defronte à residência. Com o aparecimento da polícia, todos queriam saber o que aconteceu. Um dos policiais abriu a porta da sala com os pés. Deparou-se com Núbia sentada no sofá, coberta por pedaços de corpos e sangue, como se em estado de catatonia apenas repetia a frase:

– Eu pedi para eles pararem! Eu pedi para eles pararem! Eu pedi…


Eu Sou a Lenda

Por.: Luiz Poleto

 

Alguém disse certa vez que o motivo desta pequena obra-prima de Richard Matheson ter sido tantas vezes adaptada para o cinema (até agora são três, a mais recente tendo Will Smith no papel principal) deve-se ao fato de que ainda estão tentando acertar a adaptação para a telona.

O próprio Matheson colaborou na primeira adaptação (The Last Man on Earth, com Vincent Price), mas o final ficou tão diferente que ele exigiu que seu nome aparecesse nos crédito sob o pseudônimo de Logan Swanson.Eu Sou a Lenda é um romance curto, ambientado no futuro (em relação ao momento em que foi escrito), e que é pioneiro por oferecer tratamento científico ao mito do vampiro.

A história gira em torno de Robert Neville e tem início em 1976, quando uma guerra atômica levou à mutação de uma bactéria que produz os mortos-vivos, e que destruiu a civilização. Neste incidente, Neville perdeu esposa e filha, e agora vive sozinho em uma casa mantida por um gerador e cercada de alho por todos os lados. Ele vive uma vida auto-suficiente e tem uma rotina; todo dia de manhã ele precisa fazer reparos na casa, sair para buscar mantimentos, e coisas do tipo. Mas todas as noites um grupo de vampiros liderados por seu vizinho Ben Cortman vem assediá-lo, exigindo que saia de casa. Cortman usa diversos artifícios, e um deles é o uso de mulheres vampiras tentando seduzir Neville, que algumas vezes quase cai na tentação.

Matheson consegue fazer com que os leitores sintam o que Neville sente: a solidão de ser o último ser humano na face da terra e os efeitos que isso pode trazer, como o frequente refúgio no álcool, as ansiedades sexuais de um homem solitário, sua luta pessoal para tentar entender o fenômeno do vampirismo e seu esforço para tentar conquistar a confiança de um vira-latas que aparece na vizinhança.
o andamento do romance não tem a rapidez que vimos na última adaptação para a telona, mas nem por isso torna a leitura enfadonha. Os eventos e a linguagem são compactos, assim com a próprio história.

O final da história, que é pouco respeitado nas adaptações para o cinema, é muito interessante, e levanta alguns pontos interessantes, como por exemplo o questionamento sobre o mal ser relativo, podendo ser o herói de um grupo o monstro de outro? E quando a condição humana torna-se minoritária, o que define o que é normal ou não, já que a normalidade é ditada pela maioria, e não pela minoria?

Richard Matheson construiu um clássico com “Eu sou a Lenda”, motivo pelo qual de tempos em tempos é não somente foi adaptada ao cinema, como também influenciou uma geração de escritores de terror e ficção científica.

 

Ficha Técnica:

Richard Matheson, 1954

Título original: I Am Legend

Tradução e Revisão: Jean Steeler

ISBN: 958-16-0201-1


A Vingança de Simon

Por.: Rafael Bernini

Uma forte tempestade cai. O portal está aberto…

Meu nome é Simon. Sou príncipe herdeiro de Gorth, reino de Mustapha, meu pai, que era o senhor da guerra e do caos. Sua única obsessão era o poder e a glória.

Éramos descendentes direto de vampiros, a mais alta classe existente. Governávamos palácios e derrubávamos reinos, tempo em que o inferno era apenas um lugar.

Elric era o braço direito de meu pai, foi mordido ainda criança para governar o exército que se preparava para dominar toda escuridão. Mas não foi bem assim que aconteceu. Ele traiu meu pai, atravessando-lhe o peito com uma lança banhada em água benta, que o fez virar pó. Fui torturado e obrigado a viver em um túnel no subterrâneo, preso por correntes santas. Mil anos preso, sentindo cheiro de sangue. Tudo o que queria era uma chance de me vingar e seguir meu caminh para o inferno.

Um cheiro podre toma conta de uma gruta, alguém anda pelos túneis sombrios cantarolando algo ouvido na guerra. Segue até uma porta lacrada por correntes com um imenso cadeado sem encaixe para chave. Um sorriso misterioso toma conta do intruso.

– Querido, ainda usa esses cadeados divinos? Ele não aprende nunca.

Segura o cadeado e o quebra com uma das mãos como gravetos.

Atrás da porta, um corredor. Vários corpos pendurados por correntes.

Um ainda se move.

– Ora, ora. Será que o mundo é tão pequeno assim que acabei o achando num lugar destes?

– Quem é você infeliz? – pergunta o acorrentado.

– Estava passando por aqui e achei interessante te fazer uma visita.

– Quem diabos é você?

– Eu sou aquele que pode te trazer a vida. Eu posso ouvir seus lamentos, sua dor, sua súplica. E o melhor: sinto que você é um dos poucos vampiros que ainda tem uma alma. Sabe por quê? Você é o único que realmente pôde se alimentar do sangue de Cristo, e se tornar o portador do poder.

– E daí?

– Vamos fazer um trato. Devolvo sua força e você me dá o purgatório, o que acha?

– E como posso te dar isso?

– Derrote Nero e me coloque em seu posto. Somente assim poderá chegar até Elric.

– Aceito sua condição. Mas como conseguirei minhas forças de volta?

– Simples!

O homem arranca uma faca de seu bolso, corta um pouco acima de seu ombro e coloca a cabeça de Simon para que possa se alimentar. Em pouco segundos seu corpo revigora.

Simon se levanta e abre suas imensas asas negras. Arrebenta as correntes, mas um pouco delas ainda sobra em seus pulsos, como se fizesse parte de seu corpo agora.

Anda em direção à porta; percebe que o mundo não é mais como antes. Saindo por uma antiga igreja, no cemitério, não tem mais noção de onde está. Segue em frente até uma saída que dá para a imensa cidade. Prédios e grandes edifícios, coisas que nunca imagina-ra ver em sua vida. Alça vôo em direção ao céu nublado. Pára. Sente-se fraco e ainda está com fome.

– Olha que belo – o estranho aparece novamente.

– Preciso me alimentar.

– Então venha comigo. Prazer primeiro, depois alimento.

– Aonde vai me levar? – questiona Simon.

– A Nero.

– Como poderei matá-lo, fraco assim?

– Use as correntes. Mas cuidado, Nero é temido por sua agilidade e esperteza. Para matá-lo, deve arrancar sua cabeça. E não se esqueça, pegue a chave em seu pescoço.

– Sim.

– Então vamos.

Entrando em uma boate, seguem até um andar inferior. Simon logo está sozinho. Vê uma porta rodeada por guardas, imagina que ali está quem procura.

É barrado pelos guardas.

– Aonde pensa que vai?

– Preciso falar com Nero.

– Ele não quer ser incomodado.

– Mas eu insisto – e segue em frente.

O outro segurança o empurra e, com a mão esquerda, Simon o golpeia, afundando o nariz.

Rapidamente, o lugar está rodeado de seguranças. Dão tiros em direção a ele, que se esquiva e vai parar atrás de um balcão. Sente um tiro no braço. Começa a jogar garrafas. Várias. Os cigarros se misturam com o álcool e o fogo se espalha. Ele derruba um e pega a arma. Enquanto os corpos estão sendo queimados, ele segue pare seu objetivo.

Um amplo salão, onde há um jovem muito belo cercado de mulheres.

– Como você entrou aqui?

– Seus guardas beberam demais e acabaram dormindo.

– No que posso ajudar antes que chame mais deles.

Simon aponta a arma.

– Sei o que quer, cretino. Você quer minha chave. Mas isso não acontecerá. Porque nenhum humano pode tirar isso de mim. – diz Nero virando as costas para Simon.

– Já viu humano de asas, idiota!

Um tiro distraiu Nero e logo as correntes estavam apertando seu pescoço e removendo sua cabeça.

– Vejo que fez um belo trabalho, Simon.

– Onde posso encontrar Elric?

– À meia-noite de amanhã, quando o circulo azul estiver no céu, voe para seu centro e entre no seu antigo palácio. Lá saberá o que fazer.

Simon lhe entrega a chave. O estranho desaparece.

Uma forte tempestade cai. O portal está aberto e Simon segue em direção à tormenta. Chega ao pátio central. Sua antiga casa. Seu antigo lar. Agora, com uma bandeira do exército de Elric. Por enquanto. Segue em direção a uma entrada ao norte. Um sorriso toma seu rosto depois de anos. Corre pelos túneis e esgotos, chega a uma clareira, onde havia deixado sua antiga espada.

– Olá, querido irmão – diz Elric, acompanhado de um bando de homens – Que honra! De trás do trono, sai o estranho com a chave na mão.

– Aqui esta, meu mestre, a chave para o sangue da vida eterna.

O sangue de Cristo que é guardado no purgatório.

– Obrigado, Lúcifer, é tão eficiente quanto esperto.

– Seu desgraçado!

Os olhos chamuscam em amarelo e as asas brotam com ferocidade.

– Não terei dó de sua alma quando te matar e te devorar.

– E como isso irá acontecer? – diz Elric – Você esta cercado pelos meus melhores guerreiros. Não há nenhuma chance contra nós.

– Sé é o que pensa.

Empunha a arma e segue correndo em direção a Elric, deslizando a ponta de sua espada no chão numa velocidade espantosa. Crava-a no peito do irmão. O exército vai de encontro a ele, enquanto Lúcifer gargalha. Antes que Simon possa se defender, um clarão e um barulho forte toma conta do lugar.

Quando tudo volta ao normal, estão todos caídos, esquartejados. Lúcifer sumira.  Simon olha para o céu, sua vingança está completa, mas agora deve favor a Outro.


Cinzas

por.: Márcio Renato  Bordin

Joshua acende um cigarro. Um trago. Sente a fumaça invadir seu corpo. Sua filha chora. Sua mulher implora… O cigarro queima.

Outro trago. Todo o quarteirão já fora evacuado. Os policiais cercam a casa tentando manter os curiosos afastados. Os atiradores de elite posicionados em cima dos telhados vizinhos… Joshua fuma.

Puxa mais um trago. Ato tão prazeroso quanto nocivo. Não mais nocivo que seu calibre 44 que também cheira à fumaça. Acabara de ser disparada. Acabara de criar um cadáver.

O cigarro queima. Lentamente o sólido vai se tornando cinzas. Assim como a vida de Joshua. Outrora tão sólida, agora, apenas cinzas. A felicidade é vista apenas nas fotos espalhadas pelo chão da sala… O cigarro ainda queima.

Outro trago. Um calmante em forma de fumaça. Joshua nem ouve os gritos apavorados de sua esposa, que clama pela própria vida abraçada ao corpo inerte do amante.

Ele olha para o cigarro enquanto brinca soltando círculos de fumaça. Sua filha chora borrando a maquiagem carregada em seus olhos. Uma maquiagem pesada o suficiente para disfarçar seus dezessete anos de idade, nas noites em que se prostituía em troca de drogas. E Joshua julgando que sua inocente filha, ficava até tarde nas casas das amigas… Apenas estudando.

Joshua fuma tranquilamente seu cigarro sentado em sua poltrona posicionada no centro da sala de estar, com a 44 pousada sobre seu colo. Os policiais se preparam para invadir. Os dedos dos atiradores de elite coçam no gatilho. O alvo está na mira.

Eles só estão esperando a ordem para dispararem… Mas não há sinal de perigo.

O cigarro chega ao fim. A ponta. A bituca. Essa é a melhor parte. Tudo parece ser tão mais prazeroso quando próximo ao fim. O cigarro, a bebida… A vida

O sargento derruba a porta dianteira à ponta-pé, seguido por mais três soldados rasos. Os outros adentram à residência pela porta dos fundos e janelas. Rapidamente cercam um Joshua inerte.

O cigarro ainda queima. Desesperada a esposa grita para todos saírem. Porém… Tarde demais.

Todos cercam um homem dando seu ultimo trago no cigarro, totalmente indiferente aos fatos ocorrendo em sua volta.

Só então percebem que pisam em solo molhado. Só então sentem o forte odor de combustível espalhado por todos os cômodos… Tarde demais.

Joshua abre os braços como se saudasse a vida. Abraçando a morte. O sargento dá a ordem para todos saírem rápido de dentro da casa. Toda ação gera uma reação contraria de igual ou maior intensidade. Joshua de braços abertos empunhando o cigarro em uma das mãos e a 44 na outra, os policiais correndo desesperados. Os dedos nervosos dos atiradores puxam o gatilho.

Joshua tem o peito atingido. A pistola cai de um lado e a ponta do cigarro de outro. A brasa beija o combustível. O fogo é imediato. Rapidamente as chamas se alastram pelos cômodos. Os moveis se desmancham junto às carnes ainda vivas… Do pó ao pó.

Os gritos são abafados pelo ensurdecedor som do fogo furioso. Tudo se mescla numa terrível sinfonia.

A casa queima. A maquiagem se desmancha. O rosto pintado se desfaz. A adultera abraçada ao corpo do amante. As chamas os unem para sempre. Difícil demais separar pó de pó.

Os retratos espalhados vão se tornando cinzas. Retratos de um passado feliz. Joshua, sua amada esposa e sua doce e inocente filha. Retratos de um passado se tornam o que aquela felicidade ali estampada já se tornou há muito tempo… Apenas cinzas.